História

 

História da Tradição da Ordem Martinista

A tradição esotérica existe desde tempos imemoriais e todas as religiões contêm um núcleo interno onde as questões de tipo místico são reverenciadas como o verdadeiro espírito da vida religiosa. O misticismo esotérico Cristão abraça uma grande riqueza de tradições, incluindo correntes Gnósticas, Herméticas, Teúrgicas e Cabalísticas.

O Martinismo, sendo uma tradição independente e única, reuniu fios condutores tomados desde as já mencionadas correntes de sabedoria.

Aqui se apresentará um breve esquema do que é a Ordem Martinista em seu conjunto. Em relação aos lineamentos dos três diferentes ramos em si mesmos, uma análise mais profunda é apresentada nas seções respectivas dentro desta web Page.

Como ordem, o “corpo de ensinamentos e iniciações organizadas”, podemos rastrear a Tradição Martinista até a França pré-revolucionária do século XVIII e a Ordem dos Elus Coëns fundada por Martinez de Pasqually.

O começo: os Sacerdotes Eleitos

Jacques de Livron Joachim de La Tour de la Casa Martinez de Pasqually nasceu em 1927 em Grenoble, França, e morreu em 1774 no Haiti, aos 47 anos. Seu pai foi um reconhecido Franco-Maçom e possuidor de uma Carta para fundar e operar Lojas Maçônicas, outorgada pelo príncipe Charles Edward Stuart, concedendo-lhe o título de “Grão-Mestre Delegado”.

Esta carta (Carta de Habilitação) era hereditária e foi dada a seu filho, com a idade de 28 anos.

Martinez de Pasqually começou, então, a criar um dos primeiros sistemas de altos graus Maçônicos na Europa, expandindo-o até o sistema tradicional de três graus da Obra.

Pasqually nomeou sua Ordem a “Ordre des Chevaliers Maçons Elus-Coëns de L´univers” – A Ordem dos Cavaleiros Sacerdotes Eleitos do Universo – e abriu a primeira Loja em 1754.

Esta Ordem sobressaiu em relação ao denominador comum de outras Ordens de sua época, uma vez que Pasqually não interpretava o mito clássico da Franco-Maçonaria como um mero rito simbólico para a evolução do homem individual, mas afirmava que o processo subjacente apontava a uma revelação mais profunda e abarcadora sobre a natureza do homem e seu destino como ser espiritual.

Pasqually expandiu esta noção ao longo de um grupo de altos graus que ele mesmo escreveu, afastando-se do simbolismo e dos trabalhos da Maçonaria tradicional, introduzindo em seu lugar sua própria filosofia, tal como está esquematizada em seu único trabalho “Tratado da Reintegração dos Seres em suas Primeiras Propriedades, Virtudes e Poderes Espirituais e Divinos”.

Neste massivo trabalho de sabedoria e visão interior, Pasqually interpreta as escrituras tal como ele mesmo aprendeu de seus mestres, como ele descreve.

Esta doutrina recebida expõe as Escrituras para que sejam lidas como uma narrativa espiritual, descrevendo como o homem caiu de sua morada e como a Humanidade em sua totalidade continua seu descenso até que o ser humano, voluntariamente, detenha a si mesmo e se esforce em retomar seu caminho até o estado destinado a ele, auxiliado por forças divinas desejosas de ajudá-lo a recuperar seu legado.

Apartando-se ainda mais do trabalho Franco-Maçônico tradicional, este processo não é somente transmitido ao aspirante através das iniciações, mas também através do trabalho pessoal ritualístico e operações teúrgicas (Theurgia – do grego: Theo Urgos – trabalho de Deus, ou divino), a ser realizado solitariamente por cada Coën individual.

Martinez de Pasqually morreu durante sua estadia em Port-au-Prince, Haiti, abruptamente em uma idade precoce, sem ter nomeado formalmente um sucessor como Grão-Mestre da Ordem. A perpetuação de seus ensinamentos dependia, portanto, de dois de seus discípulos mais próximos, eleitos com o título de S.I. (Superior Juíz) do Soberano Tribunal da Ordem.

Voie Cardiaque – O Caminho do Coração: Louis Claude de Saint-Martin

O Marquês Louis Claude de Saint-Martin nasceu em 18 de fevereiro de 1743 na cidade de Amboise, França. Embora nascido nobre, nunca viveu na riqueza e durante a Revolução Francesa sofreu muitos dissabores por causa de seu título. Não se sabe muito acerca de sua infância, salvo que sua mãe morreu quando ele era muito jovem e que ele se refere a isso em sua autobiografia como um episódio que deixou uma profunda marca em sua personalidade, assim como uma natureza extremamente sensível. Sua relação com seu pai não foi das melhores e durante sua perturbada juventude começou precocemente a realizar perguntas tanto religiosas quanto existenciais, consumindo febrilmente cada livro sobre filosofia religiosa que pudesse encontrar.

Para satisfazer aos desejos de seu pai começou a estudar Direito, mas logo descobriu que esta profissão não era adequada para ele. Saint-Martin desprezava os privilégios jurídicos desfrutados pela nobreza e deu-se conta de que seus estudos iam contra seu próprio caráter. Apesar de sua natureza filantrópica, renunciou a seu trabalho e seguiu carreira militar. Eram épocas em que a carreira militar era uma das poucas opções que tinham os jovens sem fortuna pessoal, o que lhe permitiu não apenas viajar, mas também sustentar-se economicamente. Sua posição como oficial dava-lhe suficiente tempo livre para dedicar-se em profundidade a seus estudos religiosos e místicos.

Durante seu tempo de serviço em Lyon conheceu a outros dois oficiais, Monsieur de Grainville, e ao irmão de Honorè de Balzac, que eram discípulos de Martinez de Pasqually e membros dos Elus Coëns.

Seus dois novos amigos, reconhecendo sua devoção e potencial espiritual, apresentaram o jovem Saint-Martin a Pasqually, a quem ele descreve como seu primeiro instrutor e Mestre. O amor explícito de Saint-Martin pela humanidade, e sua devoção religiosa por sua vez convenceram a Pasqually de que havia encontrado um apoio valioso para a propagação do trabalho dos Elus Coëns. Depois de uma preparação e estudos rigorosos, Saint-Martin foi iniciado na ordem antes do final da década de 1760.

Saint-Martin não levou muito tempo para ser admitido ao círculo interno de Pasqually, o que o levou a abandonar definitivamente o exército para dedicar-se inteiramente ao trabalho da Ordem e transformar-se no confidente mais próximo e secretário em tempo integral de Pasqually.

Os Cavaleiros Benfeitores: Jean Baptiste Willermoz

O terceiro personagem importante na Ordem dos Elus Coëns e nas fases iniciais do movimento Martinista, amigo próximo de Saint-Martin e Pasqually foi Jean Baptiste Willermoz nascido a 10 de julho de 1730 em Lyon, França.

Foi educado no Trinity College e, ao finalizar seus estudos, abriu seu próprio negócio de venda de seda em 1754.

Em 1767 conheceu a Bacon de La Chevalerie, Grão-Mestre Delegado dos Elus Coëns em Paris e por serem ambos Franco-Maçons, começaram a manter discussões íntimas acerca do verdadeiro objetivo da Maçonaria. De Chevalerie apresentou Willermoz a Pasqually e o primeiro encontrou o que estava buscando: um grupo intenso e devoto com opiniões claras acerca do que pretendia a Maçonaria e o que se fazia mais além da Obra.

Willermoz era mais que Pasqually, uma mente estruturada que – através de sua extraordinária dedicação e talentos organizativos – assegurou que o assentamento principal da Ordem estivesse firmemente estabelecido em Lyon, onde liderou uma Loja que se expandiu rapidamente.

Saint-Martin e Willermoz trabalharam muito próximos ao ponto em que trocavam correspondências com grande freqüência quando se separavam. Quando Pasqually morreu, sem dúvida, sentiram que os Elus Coëns poderiam não perdurar como Ordem sem a tutela e a inspiração prevista por seu Mestre comum. Ambos buscaram, então, assegurar a transmissão da Tradição Martinista dentro de dois caminhos independentes, cada um com sua própria natureza, embora continuassem amigos íntimos pelo resto de suas vidas.

O Caminho Cavaleiresco de Willermoz

Jean Baptiste Willermoz viu o declínio das Lojas Elus Coëns e começou sua própria missão de resgate para incorporar tais ensinamentos ao rito Maçônico Alemão: “Der Stricte Observanz”, o rito Maçônico por excelência da época. Ele o denominou seu adendo “Chevaliers Bienfaisants de La Citè Sante” – Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa – e acrescentou duas classes secretas, mas contendo a essência do Tratado da Reintegração dos Seres de Pasqually. Esta fusão tinha a intenção de salvar os ensinamentos doutrinários dos Elus Coëns, porém, abandonava o trabalho ritual individual realizado pela Irmandade.

Wilermoz recebeu grandes elogios por suas idéias revolucionárias e, durante a grande convenção Maçônica de Willhelmsbad em 1778, se deciciu incorporar seus graus à Stricte Observanz.

Willermoz e seus seguidores retornaram à França para começar seu trabalho, mas foram interrompidos pela Revolução Francesa, dispersando violentamente a todos os seus amigos e colaboradores. Quando os fogos da Revolução amainaram, a Stricte Observanz tinha sido dissolvida como Ordem na França e os graus de Willermoz foram em seu lugar incorporados ao Rito Escocês Retificado, o qual é toda via uma ordem Maçônica vivente e ativa no continente europeu.

O Caminho Interno de Saint-Martin

Saint-Martin sentiu-se internamente alijado da pesada natureza ritualística dos Elus Coëns e começou a buscar a mesma doutrina, mas do ponto de vista místico mais tradicional, através da contemplação interna, a meditação e a oração.

Ao finalizar um ritual que durou um dia completo com seu mestre, se diz que Saint Martin teria perguntado: “é tudo isto verdadeiramente necessário para alcançar a Deus?”, ao que Pasqually teria respondido, “não, porém devemos agradecer o que temos”.

Seu trabalho solitário após a morte de Pasqually levou-o a sua estréia como autor. Em 1775 publicou seu primeiro livro “Des Erreurs et la Verite” – Acerca dos Erros e da Verdade – anonimamente, sob o pseudônimo “O Filósofo Desconhecido”. Neste, Saint Martin apresenta veladamente a totalidade dos ensinamentos de seu Mestre.

Tal como Willermoz havia revelado os ensinamentos dentro de um sistema Maçônico discreto, só aberto aos homens, Saint Martin agora fazia o mesmo com o público em geral usando termos simples e simbologia bíblica bem conhecida.

Este seria o início do que hoje se denomina “A Via do Coração” – Ensinamentos Martinistas Puros, desprovidos de todo o complexo ritualístico e do contexto que tanto Pasqually quanto Willermoz consideravam necessário para comunicar suas mensagens.

Saint Martin, apesar de seu desejo de anonimato, rapidamente encontrou-se no centro de atenção de um amplo círculo de seguidores que iam desde amigos e conhecidos comuns à nobreza da Europa e Rússia.

Em consequência, continuou escrevendo livros e ensinando em círculos próximos, íntimos, tanto na França pós-revolucionária, quanto nas cortes do resto do Continente. Com uma postura radical para época, Saint Martin convidava igualmente a homens e mulheres dentro destes círculos e condensava as cerimônias iniciáticas de Pasqually numa transmissão simples dada àqueles que provaram principalmente a si mesmos seu ardente desejo pela reintegração, assim como sua boa vontade.

O Rosacristianismo Russo e o Martinismo na Corte do Czar

Durante suas viagens, Saint Martin conquistou a amizade de um homem chamado Rodolph Salzmann, enquanto vivia na Alemanha. Salzmann fez muito por Saint Martin, desde a apresentação de Saint Martin ante a alquímica “Order des Ubekannte Philosophen” (Ordem dos Filósofos Desconhecidos) como também o apresentando o jovem francês ante a Corte Russa em 1790. Nela, Saint Martin conheceu muitos homens e mulheres da nobreza pertencentes à família do Czar e agregou um grande número de estudantes.

Entre seus novos amigos estavam o Príncipe Alexis B. Kourakine, o Príncipe Alexander Gallitzin e Nikolaj Ivanovich Novikov.

Nicolaj Novikov (1744-1818) foi um famoso Franco-Maçom na Rússia dessa época e publicou muitos trabalhos acerca do ocultismo, sendo um dos mais notáveis de todos, sua extensa Enciclopédia da Maçonaria. Iniciado em várias correntes esotéricas incluindo as duas anteriormente nomeadas (La Ubekannte Philosophen e a melhor conhecida Ordem Rosacruz da Gold-und Rosenkreutz”), começou a promover uma nova Ordem, que continha o Corpus Rosacruz que foi legado por seus prévios iniciadores e também o material dos Elus Coëns através dos intercâmbios iniciáticos de Saint Martin com Kourakine. Este grupo era conhecido como “Os Theoristas” tomado do nome do Segundo Grau dentro da Gold-und Rosenkreutz.

Os traços esotéricas de Novikov começaram a aprofundar-se e tanto que começou a incorporar mais dois objetivos morais da Ordem dentro da sociedade em geral. A História o recorda por fundar o primeiro dos hospitais públicos na Rússia, por publicar muitas revistas criticando a situação social de sua época e sendo o instigador intelectual do iluminismo, levando à Mãe Rússia conhecimento do academicismo do resto da Europa.

Este reconhecimento, assim como sua agenda social, captou a atenção de Catarina II. Quando a Imperatriz assumiu o trono, revelou seu descontentamento frente às tendências reformistas de Novikov e seu medo pela Franco-Maçonaria a levou a ordenar a prisão de Novikov e seus Irmãos enviando-os à Fortaleza de Schlusselburg em 1792.

O Príncipe Kourakine (1752-1818) não podia ser encarcerado por sua posição como nobre, mas foi exilado.

Depois disto, os Theoristas tiveram que continuar seu trabalho em grupos pequenos, secretos e isolados. Estes grupos eram o mínimo restritos ao conhecimento dos familiares mais próximos dos membros da Ordem original, o que ocasionou ser a Tradição retransmitida por ascendência ou linhas familiares. Para nomear alguma destas famílias, as mais notáveis foram os Arsenyev e os Chominskij. Os primeiros assim como talvez também os últimos, foram iniciados nesta corrente pelo mesmo Novikov em 12 de dezembro de 1796, tão logo foi libertado pelo filho de Catarina, Paulo I. A família Arsenyev e a família Chomiskij transformaram-se nos principais preservadores do que nós, de agora em diante, podemos denominar como a ”Tradição Russa”. Este ramo específico do Martinismo, de acordo com os rituais e ensinamentos que nos legaram, pode ser visto como um Martinismo Rosacruz e um Elus Coën Rosacruz devido à sua grande influência sobre as linhagens e conteúdos dos Theoristas.

Embora o trabalho da Ordem na Rússia tenha sido desde então levado a cabo sob grande estresse devido à opressão política especialmente durante a Era Comunista da União Soviética, estes ramos foram preservados intactos na Ucrânia e posteriormente em outros países da Europa Central, até nossos dias.

Interludium: Situação durante o começo da Era Contemporânea

O Martinismo, durante o começo do século XIX, tinha tomado três formas distintas: os Elus Coëns estavam praticamente extintos, seu ardor lentamente minguando, nas mãos de uns poucos indivíduos sem intenção alguma de reviver a Ordem sem Pasqually.

O Rito Retificado de Willermoz continuou transmitindo seus ensinamentos Martinistas dentro dos graus mais altos do Rito Maçônico, mas com um número decrescente de membros nos círculos onde eram outorgados.

O Caminho Interno de Saint Martin foi passado após sua morte através de seus livros, porém a verdadeira iniciação no centro de sua sucessão espiritual foi conduzida ao longo de toda a Europa no coração de certas famílias, muitas das quais já desconheciam a fonte da qual a mesma provinha.

Emerge uma nova Ordem: o Primeiro Grande Conselho

No ano de 1886 o cenário é novamente a França e um jovem de apenas 18 anos chamado Gerard Encausse (Julho 13, 1865 à 25 Outubro 1916), conhecido mais tarde como o prolífico escritor esotérico Papus e iniciado numa linhagem da Via do Coração, por um parente seu, no leito de morte.

Papus, entusiasmado pelo que havia chegado a suas mãos, encontra, por um golpe do destino, um igual, na mesma situação, três anos mais jovem do que ele: Augustin –Pierre Chaboseau (17 de Junho, 1868 – 2 de Janeiro, 1946). Chaboseau, por sua vez, tinha recebido iniciação similar por parte de sua tia. Juntos descobriram que havia outros na mesma situação, e que existiam tanto discrepâncias quanto carências nas diferentes transmissões que lhes tinham sido outorgadas. Para tanto, ocuparam-se em reunir amigos, associados e iniciados para formar a Ordem Martinista em 1886, a primeira Ordem Martinista que decide nomear a Tradição com os nomes dos seus antecessores. A linhagem russa não chegou à Europa Central até o início dos anos 1900, mas sobreviveu como um ramo separado da mesma árvore.

Papus escolheu preservar a Tradição de Saint Martin dentro de um sistema iniciático de três graus, somando duas iniciações preparatórias para assegurar a validade do candidato antes de seu acesso aos graus propriamente ditos chamados Associado e Iniciado.

Pela primeira vez na história do Martinismo como Ordem ja não foi necessário ser homem ou Franco-Maçom para ser admitido, embora algumas poucas exceções tenham sido feitas anteriormente, tanto nos Elus Coëns como no Rito Retificado.

A Ordem Martinista se expandiu por toda a Europa a um ritmo vertiginoso, estabelecendo-se na Alemanha, na União da Suécia-Noruega, Dinamarca, Grã-Bretanha, inclusive nos Estados Unidos. No entanto, tudo se deteve com a morte de Papus no campo de batalha na Primeira Guerra Mundial, servindo como médico militar.

Seu sucessor Charles Detrè, mais conhecido como Teder, chegou a liderar o Grande Conselho após a morte de seu velho amigo e encarregou da Ordem até sua própria morte em 1918. Uma vez mais, uma Ordem Martinista foi abandonada sem um sucessor claro já que, nesta época, muitos outros líderes também morreram na guerra.

Um membro do Conselho, chamado Jean Bricaud, encarregou-se dos assuntos da Ordem e embora a tenha mantido viva, também restaurou a crença arcaica de que o Martinismo deveria ser restrito somente a homens e Mestres Maçons. Isto levou a uma cisão na Ordem, com um grupo liderado por Bricaud, em Paris, e outro grupo em Lyon, mantendo o espírito de Papus e do primeiro Conselho. Esta foi uma ramificação legítima e não um cisma: como iniciador livre dentro da Ordem Martinista sempre tem a capacidade de formar uma Ordem própria. Os dois grupos agora trabalham separada, mas fraternalmente e sustentam o que é uma tradição venerável entre os Martinistas. Reconhecimento amistoso de ideais e aspirações comuns e momentos frequentes de intercâmbio, com direito a assistir as reuniões e iniciações do outro grupo.

Atualmente se pode encontrar uma multiplicidade de Ordens Martinistas devido a várias razões, principalmente pela dificuldade ou impossibilidade de contato entre sedes em tempos de guerra e pela ramificação adicional criada por razões ideológicas e preferências de formas.

Ordre Reaux Croix: abarcando os três ramos do Martinismo

A Ordre Reaux Croix foi fundada por Martinistas, pela necessidade de reformar o que o Martinismo se tinha transformado na atualidade e entrelaçar novamente entre si os ramos da Tradição sobre um embasamento firme. Uma constituição onde o antigo mistério preservado pelos nossos ancestrais seja devidamente mantido, alimentado, entregue às gerações futuras. Reunir as Três Vias da Reintegração sob uma bandeira, lutando pela libertação do homem mantido cativo e batalhar contra as forças da escuridão que alguma vez o derrotaram.

No santuário da Ordre Reaux Croix as três correntes do Martinismo: vias Teúrgica, Cavaleiresca e Histórica – se reúnem para forjar um Candelabro: três tochas ardendo na escuridão, brilhando juntas com a mesma luz, como sempre o tem feito, iluminando o ardente desejo da Humanidade pela Reintegração.

Acreditamos que a doutrina autêntica e genuína de nossos predecessores constitui a verdadeira alma e espírito da Martinismo e que, portanto, esta requer um corpo saudável e apto para conter e transmitir seu conhecimento e sabedoria. Portanto, os ritos de antes, mantidos em nossa custódia, tem sido retrabalhados para alcançar dois fins:

Primeiramente, restabelecer a tradição Cristã Mistérica sobre a qual foram fundados em sua forma original e sem “diluições”, e

Em segundo lugar, constituir a O. ‘. R.’. C.’. como uma entidade iniciática coerente e fluida, onde às relíquias do passado se lhe outorgue uma nova forma externa que lhe permita transmitir suas mensagens ao homem moderno.

As Três Tochas do Candelabro

A Voie Cardiaque (V.’. C.’.) está embasada sobre as correntes Martinistas tradicionais legadas através de Papus e Chaboseau e as linhagens russas transmitidas através de Novikov. Utiliza um conjunto de rituais reformados baseados sobre a estrutura tradicional da Ordem Martinista, porém re-infundida com a primeira essência recebida de Louis Claude de Saint-Martin e com os ritos e ensinamentos da tradição russa.

Os Elus Coëns (E. ‘. C.’.) alguma vez se desvaneceram na história, porém foram legitimamente revividos nos meados dos anos 1950 e são um ramo vivente da Ordem reformada de acordo com os rituais e manuscritos originais das mãos de Pasqually e seus discípulos. Os Elus Coëns trabalham dentro de um sistema de Loja onde o estudante realiza principalmente as operações de maneira individual ou dentro de um grupo menor. Esta linhagem se transmite através de Robert Ambelain.

Os Cavaleiros Beneficentes da Cidade Santa (C.’. B.’. C.’. S.’.) de Willermoz realizam sua prática como um rito reformado, sem conexão alguma com seus fundamentos Franco-Maçons. Em seu lugar, partes da Voie Cardiaque foram escolhidas para substituir o Trabalho Maçônico de Graus e os ensinamentos secretos dos Graus Superiores atualmente fermentam o rito em sua totalidade. Esta linhagem cavaleiresca também se transmite através de Robert Ambelein.

Em seu profundo interior, o homem é só e unicamente um Desejo de Deus e em nosso trabalho a totalidade de nosso Ser deve estar unicamente dedicada à consciência universal e perpétua dos Desejos de Deus” (Louis Claude de Saint Martin)

Louis-Claude de Saint-Martin

Ordre Reaux Croix

A Ordre Reaux Croix

A Ordre Reaux Croix é trazida à existência em 2002, no aniversário de 250 anos da Fraternidade.

Pela primeira vez na história, temos  logramos reunir as três tradições viventes sob um mesmo estandarte, em conseqüência, permitindo que o homem e a mulher de Desejo possam perseguir seu retorno ao Divino através da maneira que melhor se ajuste a seu temperamento e natureza individual.

Qualquer tipo de admissão aos três ramos da Ordem começa pela Via do Coração (Voie Cardiaque) e depois de um mínimo de dois anos de estudo, os outros dois ramos estão abertos para que o estudante possa prosseguir.

A Grande Loja da Ordem está situada na Noruega e atualmente tem jurisdição na Suécia, Canadá, Argentina, Espanha, Inglaterra e Brasil.

Os ensinamentos da O. ‘. R.’. C.’. tanto existentes quanto futuros estão baseados diretamente nas doutrinas de nossos predecessores e em consequência transmitidas num veículo simbólico Cristão. Dito isto, a Ordem dá as boas-vindas a todos os homens e mulheres de Desejo, de boa vontade, com uma crença em um ser supremo, sem importar suas preferências religiosas. Estes ensinamentos são transmitidos de pessoa a pessoa, dentro de um oratório ou templo e todas as questões em relação a nossos trabalhos se baseiam sobre o vínculo próximo entre Mestre e estudante.

Nossa tradição surge e incorpora linhagens autênticas, assim como material recebido dos Elus Coëns, C.’. B.’. C.’. S.’. , Ordem Martinista e dos Martinistas e Theoristas russos.

Para aprender mais sobre o Martinsimo e a Ordre Reaux Croix, por favor, leia a seção de História ou visite nossa bibilioteca.

 

“As leis de tua vida estão dentro de ti: naquela luz que brilha desde teu ser como uma Imagem de Deus, não em livros escritos que são meramente ídolos dos homens”.

“Guarda esta luz e nunca permite que se derrame em palavras vazias. Aqueles que firmemente cuidam suas palavras cuidam seus pensamentos, cuidam seus sentimentos e aqueles que assim o fazem, podem reger-se a si mesmo corretamente”


-Louis-Claude de Saint-Martin